segunda-feira, março 20, 2006

O "quanto baste" na oitava vitória seguida

Mais um jogo fundamental, com a pressão acrescida de sabermos os resultados dos adversários directos (quem em último joga, é sempre mais pressionado, independentemente dos outros resultados) em que, confesso, tive maus pressentimentos relativamente à vitória. Nos últimos 7 anos não ganhámos ao Leiria fora, temos uma série de vitórias consecutivas (foi a oitava para a Liga) e, algum dia, vai acontecer um mau resultado. Mas Paulo Bento construiu uma fortaleza, que, com serenidade e perseverança procura o resultado. O 1º tempo foi fraco no sentido de futebol de ataque e jogadas de perigo. Oferecendo (?) a iniciativa de jogo ao adversário, praticamos o futebol indesejado por eles.
(A interminável discussão, sempre polémica, entre o jogar bem, o futebol bonito e jogar para o resultado, no futebol de contenção e aproveitamento dos erros está como sempre na ordem do dia. Quantas vezes, nós, sportinguistas, fizemos grandes jogos de domínio intenso e de ataque continuado, e no final sofremos golos que nos abalaram a confiança no futebol e nos Deuses da justiça? Após tanto tempo a ver futebol, sei que a única coisa que conta verdadeiramente é o resultado. Para tal, marcar golos é fundamental, na mesma medida que os não sofrer. É no equilíbrio e na complementaridade destas dinâmicas, que as boas equipas ganham Campeonatos).
Gosto mais de ganhar jogando ao ataque e dominando os adversários, mas, como Paulo Bento tem vindo a mostrar na prática, muitas vezes não é possível dominar o jogo todo. E o tal lado pragmático, como muito bem diz o Dever Devamos, tem sido altamente eficaz. O meio-campo continua a ser a nossa mais-valia, sobretudo no que toca a preencher e roubar os espaços aos adversários. Moutinho é a batuta de uma pauta que determina o ritmo, que surpreende nos lances em profundidade, Custódio é o pronto socorro, ganha os lances pelo posicionamento não permite ao adversário nem tempo nem espaço e joga simples. Nani é a fantasia ingénua, respira futebol e Carlos Martins, o rompedor, capaz do melhor (remates) e do pior (não fecha bem). A defesa está “intratável”: Tonel antecipa-se, chega primeiro, impõe a sua presença nas alturas. Polga está com uma confiança nova: adivinha os lances, com a bola nos pés é intencional e não se precipita; ambos, quando é necessário também jogam feio. Os laterais foram as grandes alterações positivas de Janeiro; uma equipa sem extremos precisa absolutamente de bons laterais. Abel é duro, rápido, forte com e sem bola; o Sporting tem se assegurar a sua continuidade. Ontem jogou Tello; invariavelmente um jogador pouco “simpático” aos adeptos fez um jogo bem conseguido (é dele a boa assistência para Nani), mas pode render mais como interior esquerdo. Ricardo está o gigante que precisamos. Fazendo com que a bola lhe viesse, irresistivelmente, ter às mãos, parecendo ter alguma espécie de magneto, esteve seguro e dali já estamos despreocupados (que transformação…). O ataque, ontem muito apagado, Liedson jogou muito sozinho, mas cansa só de ver a sua entrega, como disputa cada lance, e o pânico que gera na defesa contrária. Sá Pinto tem a titularidade pela sua garra. Na sua última época, o capitão quer ser feliz e vencer o Campeonato do Centenário. Na 2ª parte, entrámos com mais agressividade, e surgiu o golo (com alguma felicidade) por Nani, numa jogada em que colado à linha de fundo, entra pela área, e já em plena zona do guarda-redes remata, tendo a bola desviado num defesa, e enganado o guardião. Nunca a vitória esteve em dúvida a partir daí. E esta é a grande mudança do Sporting actual: respira confiança, serenidade, coesão; ontem não empolgou, não foi brilhante, mas quem vê a equipa jogar, facilmente verifica estar em presença de um campeão, que, embora díficil, só depende dele. Ainda jogaram Deivid (Sá Pinto), João Alves (Carlos Martins) e no final Miguel Garcia (Nani).Próximo jogo da Liga é “chato”: Penafiel, lanterna vermelha, já despromovido visita Alvalade. Depois de tudo o que disse atrás… espero que não haja surpresas. Entretanto, 4ª feira jogamos a presença na final da Taça e medimos forças com o nosso grande adversário: F.C. Porto. Boa sorte, e acredito que façam um grande jogo. O resultado é, mais que nunca, imprevisível.

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