sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A Bíblia

Hoje li a Bola duma ponta à outra; (bem, quase).
1ª página Koeman zangado, Polga não renova ainda com fotografia, e um quadradinho com o Pinto da Costa dourado pela FIFA. Acho irónico.
Avanço para as páginas do Sporting, parando antes no Projecto Roquette… do Santos Neves. Leitura interessante com os temas lá, o debate necessário, a dúvida sobre o ponto da situação; vender ou não Património, e depois a aberta oposição de Dias da Cunha (e antes?) toda a antecipação da Assembleia e eleição do Presidente do Sporting. As relações de apoio de Roquette a Soares Franco e muito contestada por João Rocha apimentam todo o cenário.
Depois a história de Polga com o empresário a voltar em Março. Notícia pequena a anunciar as faixas aos nossos campeões (juniores). Que parceiro para Liedson é um assunto em destaque. Depois de estabilizar a defesa e, talvez não definitivamente, o meio-campo falta escolher o entre Deivid e Douala. Temos alternativas e reconhece-se um candidato ao título. Continuo a folhear: Vendas da polémica, uma análise serena que me pareceu tocar na ferida: vender o Património ou a Fundos (garantindo a receita) sendo o Património recomprável a 10/12 anos. E haverá ruptura de tesouraria de 16.8 M€ (?) “honrar os compromissos com os nossos parceiros financeiros” não me cheira bem. Bom artigo informativo, equilibrado, interessante. Vejo depois que Pinto da Costa recebeu alta distinção da FIFA e quando saiu para o avião chegava o presidente da UEFA que já não o apanhou. “Para a Luz ainda falta muito” é uma pequena entrevista com o P. da Costa onde se mostra obcecado por ganhar ao … Marítimo. O presidente do River Plate, antigo clube do Lucho, elogia o jogador de uma forma muito autêntica. E diz que vai ganhar. A seguir a bomba: Diego quer ir embora!: Penso p’ra comigo: se fosse do Benfica ou Sporting era a capa. O pai do jogador não esconde a decepção (Diego sonhava com a selecção canarinha para o Mundial), e garante que vai sair. O treinador não conta com ele, “um médio de armação” não faz falta. A seguir também Helton o guarda redes aspira a jogar pelo Brasil no Mundial. Salto para a triste história do Farense com a Ruptura inevitável do Estádio Algarve. O Braga é o próximo cliente reconhecendo-se o estofo da equipa, mesmo vendendo os melhores jogadores (razões financeiras). O regresso próximo de Delibasic é referido. Palavra ao Guimarães: “É imperioso vencer o Benfica” o trágico reconforta-me. O Marítimo, o Belenenses com Meyong a pensar no início do Campeonato da Rússia (estágio pré-época em Málaga), pois parece que o Belenenses se vê obrigado a vender por 1.7M€ por problemas de tesouraria. O jogo Boavista- Rio Ave, o Carlos Brito está a 5 pontos do Sporting e Benfica. O drama do Portimonense a lutar pela subida e com ameaça de greve dos jogadores (2 meses de salários). Chama-me a atenção o Milagre segundo Cristo, o treinador do Mafra, após grande recuperação na II Divisão (D). A reportagem de jogadores que jogaram em Portugal (de segunda ), jogam em Pontevedra (IIB) e explica-nos um dos brasileiros: “Pela noite solta-se um grande divertimento (…) não é nada parecido com (…) Santa Maria da Feira". Vejo a glória de Rochemback e fico solidário com Manuel José, campeão em África (clubes) e apenas o 2º melhor: “Keshi (o nigeriano) jogava em casa e as coisas funcionam um pouco assim em África”. Leio com gosto (macabro) Um erro para a história em que o guarda redes mexicano deu a vitória à Coreia do Sul, pensando que o árbitro marcara fora-de-jogo (foi “à Benfica”, brinquei). O México mostrou “gritantes carências”. Melhor para nós. Dinamarca teme jogo em Israel, ao alto e à esquerda. A Construção Táctica do Luís Freitas Lobo com os três defesas (mas dois laterais ou três centrais ?) é uma leitura motivadora e estimulante como é normalmente o Planeta do Futebol. O destaque a Rochemback “parece outro jogador, sobretudo no ritmo e velocidade. (…) entrou noutra dimensão" e a coluna sempre recheada de promissoras revelações. Regresso ao principio do jornal e leio sobre Liverpool a cidade dos Beatles e The Cavern. Os lugares de peregrinação e do culto de um grande clube da Inglaterra e do Mundo. Já nas páginas do Benfica vivo o treino pouco alegre com Koeman a descompor os jogadores (de cabeça baixa) e especialmente Petit. O Robert pode jogar (eu apoio, eh,eh) e uma boa página sobre Léo, que nos últimos jogos tem sido o melhor jogador do Benfica e conquistou o coração dos benfiquistas. A fotografia está bem apanhada: o pequeno Léo no meio dos gigantes Alcides e Luisão. Na última o Valentim e o “Apito Dourado” e o obrigatório cartoon Barba e Cabelo com a crise dos salários no Setúbal.

É o meu elogio do jornal com temas de futebol melhor tratados, que absorve, diversifica, diverte quem gosta também de ler opiniões e abordagens personalizadas a fim também de enriquecer a minha visão e como um passatempo. Leio jornais para isso, e “A Bola” que também critico sempre que me apetece e acho que não tem razão, é ainda assim “A Bíblia” para um Leão de Prata. Que gosta de futebol. Com civilidade.

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segunda-feira, janeiro 16, 2006

Papel dos media no "mau" público de futebol


Acho o público que assiste aos jogos de futebol um dos factores que mais nos distingue, negativamente relativamente aos Campeonatos no estrangeiro. Falta de respeito pelo adversário, pelo árbitro, e mesmo pelo próprio clube quando as coisas correm mal. O adepto português está normalmente zangado, contra tudo e contra todos, numa palavra parece não apreciar o jogo. Mas esta situação não tem que ser sempre assim e durante o Euro 2004 viveu-se algo de novo. Evidentemente cabem responsabilidades acrescidas aos dirigentes e também a treinadores e jogadores, mas sobretudo, e é de isso que quero falar, aos media desportivos de Portugal.
Eu que sou leitor de “A Bola” por tradição, (à mais de 35 anos que a leio, e era gozado por colegas de escola “então, já estudaste A Bola toda?), que me habituei a opiniões sérias, rigorosas e isentas, considero que actualmente, embora ainda se encontrem bons pedaços de prosa, o jornal, que era “A Bíblia” do futebol português puxa de forma descarada pelo Benfica. As primeiras páginas, tantas vezes de tão ridículas, (Simão muda de penteado, ou coisa que o valha) até nem ligo. Parece que é assim que os encarnados gostam. Mas a crónica de um jogo, se tem alguma importância deve reflectir a forma como as equipas o disputaram, como o conseguiram fazer, os erros do treinador, e dos jogadores, a influência das jogadas decisivas, a consistência defensiva, etc, e cabe ao jornalista sublinhar e sumarizar a ideia que fica do jogo que foi. Sem dramatismos nem menosprezo pelas equipas. Fazer passar a mensagem que o futebol é um jogo e como tal as contingências, o azar e a sorte também fazem parte, e o resultado final, que é, como dizer o juízo final, não nos diz tudo sobre o desafio.
Vem tudo isto a propósito do Benfica-Académica (3-0). Assisti, e sofri pela Briosa, que nunca foi inferior ao Benfica. Começando a perder com um penalty fortuito aos 4 minutos, soube ter o discernimento de fazer o seu jogo, obrigando o Benfica a fazer um jogo “bocejante”, e a espaços a aparecer com perigo na baliza de Moretto, que evitou dois golos e se tornou o melhor jogador do Benfica na 1ª parte. A Académica, não se intimidou, procurou deliberadamente o empate, no um-para-um teve lances formidáveis, o árbitro não vê um penalty claro, e em resumo pelo jogo que fez, dignificou o passado desta equipa cuja última vitória na Luz tinha acontecido à 50 anos. Sem fazer quase nada por isso (à parte a importante organização defensiva) o Benfica chegou ao 2º golo aos 80 min num canto, em que a bola parece perdida (terá saído pela linha de fundo?). Tremendo golpe para a Briosa, que ainda sofreria o 3º, aos 94 min, agora num golo de bola corrida. O resultado 3-0 não espelha aquilo que se passou no jogo. Há que aceitar que a chamada “estrelinha” está a proteger o Benfica. A equipa de Coimbra mostrou-se revoltada a quente, penso que sobretudo porque não merecia perder quanto mais por este resultado. “…mas nós é que fomos a melhor equipa em campo.”; “Fomos valentes e corajosos e saímos daqui com grande indignação e raiva”; …temos direito a lutar de igual para igual, e isso não nos foi permitido. Só queríamos justiça.”; “Saímos daqui com um grande sentimento de revolta porque o Benfica não mereceu vencer…”.
A crónica de “A Bola”, assinado por Carlos Vara está precisamente na linha que influencia o público de futebol de modo extremamente negativo. Sem mencionar por uma única vez o jogo da Académica (uma equipa que luta pela permanência e vai jogar de igual para igual a casa do campeão, deve ser enaltecido, penso que isto é indiscutível para quem gosta de futebol), justifica o resultado com uma argumentação tão rebuscada, que merece entrar no anedotário futebolístico nacional. Se não vejamos, em título “…águia mecanizada nada acontece por acaso”, “qualidade de jogo não é primorosa, mas continua a ser poderosíssimo”!!!. Depois a estratégia, “o seu jogo fica assinalado por um hábil ardil: quando dá ideia de vacilar, está tão somente a iludir o adversário com um jogo que remete para tremendo esforço, mas que na verdade se baseia na espera com paciência pelo momento certo”; “Face a este jogo de espera tão peculiar, o Benfica assinou uma primeira parte numa linha de ousadia menor, com os principais momentos de emoção a acontecerem na área encarnada”. Senhor Carlos Vara, ousadia menor tem você! Mas continua: “ Benfica jogava claramente na expectativa, fomentando no adversário a tal ilusória sensação de que podia discutir o jogo e talvez vencê-lo. É um facto que Filipe Teixeira voltou a deixar a sensação de que a Académica podia chegar ao empate”. Tantas sensações e que imaginação, mas sobretudo que falta de profissionalismo no tratamento da Académica! No final “chegaria em cavalgada de esforço ao 2-0, e por fim a um tranquilizador mas talvez excessivo 3-0 para a Académica…” E este repórter consagrado (?!) termina a sua brilhante crónica com esta sentença: “[equipa do Benfica] não atinja na plenitude transparente e distinta qualidade de jogo”.
Fiquei de boca aberta de pasmo! Estarão a gozar connosco?
Presto daqui a minha homenagem a Nelo Vingada, e a minha esperança que a Académica se mantenha no Campeonato maior de Portugal. Força Briosa.
A indignação da Académica está em :

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sábado, janeiro 07, 2006

Um blog do Porto

Por incrível que possa parecer, quero fazer o elogio de um blog portista. Se quero navegar na blogoesfera da FBF (Federação dos Blogs de Futebol),penso que cerca de 80% dos posts que li tratam dos "fait divers" e pouco de futebol. A leitura de muitos não tem na verdade muito interesse. Mas há as honrosas excepções. Vários do Sporting e, pelo que tem de surrealista um blog cujo conteudo não me foi penoso, antes pelo contrário. O último da lista, o Zé do Boné

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